Estigma do Autismo

Estigma do Autismo

O estigma à condição de autista diminuiu com aumento dos diagnósticos e sua conscientização na internet e redes sociais.

A denominação “Autismo” está relacionada a uma constelação de comportamentos definidos na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da American Psychiatric Association (DSM-5) caracterizados por “dificuldades persistentes no uso social da comunicação verbal e não verbal” e “padrões de comportamento, interesses ou atividades repetitivas e restritas”.

Em 2014, a agência de saúde americana estimou que 1,5% das crianças nos EUA apresentavam Transtorno de Espectro Autista, cujo acrônimo é TEA, e só metade delas exibe algum grau de deficiência intelectual. Atualmente reconhecemos que as pessoas autistas podem ter uma gama extremamente variada de deficiências e habilidades, que podem mudar ao longo da vida.

O termo Autismo vem da palavra grega autos, que significa ‘eu’ para descrever o aparente retraimento em um mundo interior.

Um psiquiatra alemão chamado Hans Asperger no começo do século 20, para proteger seus pacientes da eutanásia dos nazistas, descreveu a doença através de relatos de casos de crianças superdotadas condenadas ao ostracismo por seus pares. Eventualmente, esses casos seriam chamados de síndrome de Asperger mas no DSM-5, de forma controversa, é incluído como TEA.

Mais tarde o Autismo foi descrito como “solidão autística extrema” e “um desejo ansiosamente obsessivo pela manutenção da mesmice”. Essa visão restrita moldaria o campo por cinco décadas.

Um desastroso artigo de 1998, editado por um cirurgião britânico que em decorrência perdeu seu registro médico, alegou uma ligação entre o TEA e a vacina contra o sarampo, caxumba e rubéola. Mais tarde descobriu-se que este estudo era fraudulento.

O Transtorno de Espectro Autista

O termo Transtorno de Espectro Autista foi adotado lembrando as palavras do estadista Winston Churchill que disse que “a natureza nunca traça uma linha sem borrá-la”. A palavra Espectro significa que a doença acomete diferentemente os indivíduos com dimensões graduais de sintomas.

O estigma à condição de autista diminuiu com aumento dos diagnósticos e sua conscientização na internet e redes sociais ou mesmo em filmes com personagens autistas como Rain Man de 1988. À medida que o estigma diminuiu, os pais tornaram-se mais dispostos a buscar diagnósticos.

Finalmente, em 2015, em um encontro internacional para pesquisa do autismo John Robison, leigo e com diagnóstico de síndrome de Asperger, fez uma declaração aos cientistas e médicos presentes. Disse ele: a razão pela qual os rótulos diagnósticos são tão importantes para nós autistas é que, sem eles, só temos aqueles odiosos, provenientes das ruas.